Título: Collor Recortes de Jornais 8
Autor: paulinotarraf
Categoria: Entretenimento
Descrição: Maço de recortes número 8.
As janelas do sótão de vento batidas, ouvidos abertos para o cemitério contíguo, trazem o som dos atabaques. Nenhum choro de menino: da fome é morte calada, ritual macabro apaga-se o sorriso lindo.
O entrevistado comenta nunca uma CPI atrapalhar ou emperrar o trabalho de um governo já emperrado, ao que confirma o humorista entre risos.
Schumann, fantasia, do rádio insinua-se a partir de um recital de Richter.
A memória recupera-se e com espanto interpela o materialista histórico que diz a História apenas repetir-se como farsa: aqui repete-se como farra.
Num sótão, se assim chamado fosse um velho vídeo cassete de poeira e mofo apinhado símile velhos jornais perdidos num cartório os registros aguardassem a paciência de um pesquisador de história de contido riso que fizesse ressurgir, entre os buracos deixados pelas traças e a asma provocada pelo pó, as notícias recolhidas para a memória estupefato dissesse: fatos antigos com sabor de hoje; não fossem nos de hoje o sabor mais ácido tanto aprenderam como fazer melhor o que tanto criticaram.
O rádio, de válvulas quentes e som na madeira filtrado o porte elegante de um Akent ligado ao acaso, funda uma sonoridade também antiga: Count Basie, Wagner; e a voz de Franco Corelli clama da ingratidão dos corações. No maço de recortes n. 1
No maço numero 3 Wagner acompanha o féretro do ex-presidente como se herói um dia, aguardando que outros também sejam heróis embora hoje quantas dúvidas: o Poeta Inglês diria a propósito de Cesar sobre o ruim seja enterrado com os ossos do morto.
Nos maços 4 e 5 Nora Ney, enquanto fumando espera canta Castigo e Felicidade, sem intenções de sublinhar suspeitas, apenas porque o rádio ligado, superando eventuais estáticas, trazia ao primeiro plano a grossa voz do desencanto.
Sexto maço de recortes, ainda mais maltratado pelas traças, resistentes aos inseticidas dos poderosos: Começa a CPI do PC
.
Duke Ellington, no maço número 6 tenta fazer ouvir sua Mouche por entre os estalidos do rádio Chapeli Akent Cacique; o magnético das fitas vhs, corroído das traças, quase perde o sabor do momento inaugural da palavra laranja, saída do pomar para a rede bancária; Não é novo o termo financiamento de campanha e o termo envolvimento de empreiteiras e bancos como pensariamos se a fita tivesse sido corrompida totalmente pelo tempo fazendo da memória um suco cítrico.
Sétimo maço de jornais.
Collor inaugura ao lado de Brizola, inaugurado também o dando aos pobres emprestar-se às urnas o nome do eleito.
Maço número 7:
Roberto Jefferson entrevistado por Casoy
Brahms, convidado, presta seu depoimento com uma variação, creditada, de Paganini usando os dedos bem articulados de Richter. É bom ouvir o Richter; é bom que se ouça Jefferson e dele se guarde o tom da voz, o jeito sereno: tornaremos a ouvi-lo em som mais redondo o palavreado mais hábil.
Maço de recortes número 8.
As janelas do sótão de vento batidas, ouvidos abertos para o cemitério contíguo, trazem o som dos atabaques. Nenhum choro de menino: da fome é morte calada, ritual macabro apaga-se o sorriso lindo.
O entrevistado comenta nunca uma CPI atrapalhar ou emperrar o trabalho de um governo já emperrado, ao que confirma o humorista entre risos.
Schumann, fantasia, do rádio insinua-se a partir de um recital de Richter.
A memória recupera-se e com espanto interpela o materialista histórico que diz a História apenas repetir-se como farsa: aqui repete-se como farra.
Conto Romances: http://paulinotarraf.blogspot.com/
Ruas Sem Rumo (foto): http://fotospaulinotarraf.blogspot.com/
Duração: 9:36
Tags: 1992 Atabaques Bisol Carlos CPI Giuliana Jô Morrone Nascimento paulinotarraf Soares
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